13 de agosto de 2011

O MUNDO DO ROSPO — 7


Olá! Um novo sábado, 
e hoje tem ALGAZARRA DAS LETRAS, na FELIT, 
em São Bernardo.
Lá estarei para conversar com os amigos, e autografar.
Aos que puderem ir, nos encontraremos às 16 horas.
Marciano Vasques

E falando em livro novo:

Pois afinal, a vida é feita de mistérios.


Sabe onde o Rospo foi parar? 
Aqui, em RIOTOTAL.
http://www.riototal.com.br/

E agora, com vocês, 
O BLOGUEIRO!







E agora, o momento mais importante daqui. 
As minhas histórias. 
Estou brincando, tudo é importante, mas é só pra saber: quem está com o Rospo, está em boa companhia.
E haja conversa. 
Então, vamos que é sábado!



RESISTÊNCIA!



—Sapabela, tem algo que me comove.
—Isso é tão bonito, Rospo.
—Mas eu nem falei ainda!
—Um co  - piloto em nossas vidas.
—O que está dizendo, Sapabela?
—Quando somos co-movidos, quer dizer, somos orientados pelos nossos sentires, os nossos sentimentos, ou seja, o nosso coração, então, não estamos a nos mover sozinhos.
—É, você sempre divagando, sempre extrapolando em beleza as coisas simples que se diz.
—Mas, fale, amigo, o que afinal o co-moveu?
—Até que enfim! Então, vamos lá: o "Algo" que sempre me comove é justamente saber que somos resistentes, que temos resistência a tudo que nos é imposto.  Assim, como somos capazes de ficar horas diante da tela apenas para escrever um poema.
—Mas você não faz isso, Rospo, seus poemas não têm história, não têm rastros... Você escreve na hora, de uma vez só, direto.
—Mas foi um exemplo que eu dei, Sapabela. Veja outro exemplo. Uma professora, que se empolga diante da construção de um poema pelo seu aluno, e sente prazer em ensinar, em transmitir, essa mesma professora sente uma aversão imensa por preencher papéis impostos...
—Entendi, mas, fale um pouqinho mais sobre essa tal resistência.
—É justamente isso: somos resistentes a tudo que nos é imposto. Ainda temos essa fortaleza em nós. Nada de imposição. Só queremos ser autênticos em nossas dores, nossas esperanças, nossas alegrias e nossos sentires.
—Rospo?
—Sim?
—Xeque-mate!
— Isso! Eis um bom exemplo!
—Que exemplo?
—Essa preguiça que dá quando temos que pesquisar se tal expressão tem hífen ou não... Justamente por causa da resistência ao que é imposto. Até penso uma coisa: quando eu olhar para algumas palavras que tinham trema e nem lembrar disso, algo muito lindo terá morrido em mim.
—Rospo, vamos em frente com a nossa resistência. É o nosso tesouro. Agora, que tal um sorvete?
—Bem, aí não tem quem resista!
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 O TEMPO QUE O TEMPO TEM


—Lá vai um limitar.
—Sapabela! Você trocou as sílabas, parece uma algazarra das letras. Não é limitar, é militar.
—De vez em quando faço isso, Rospo. E você? Como anda? Faz tempo não o vejo por aqui.
—Mas estou por aí.
—Meu amigo, um pouco só do tempo sem você por aqui é para mim um século de solidão.
—Não sei bem se isso é uma homenagem sua ao Gabo ou apenas uma hipérbole, mas, veja só que curioso: quando fala do tempo...
—O que tem ele?
—Será artigo de luxo no futuro. Você terá que comprar uma cota de tempo, pois o tempo terá sido tão desperdiçado que, bem, sabe, ele não é renovável, é como algumas fontes de energia: o petróleo, por exemplo, Então o tempo precisa ser melhor aproveitado.
—Os sapos não estão gastando adequadamente o tempo?
—Estão jogando fora. Muitos sapos ficam horas pendurados na televisão. O tempo será tão precioso na vida de qualquer alguém no futuro, que quem perder tempo, dançou. Perdeu para sempre. E depois, bem sabemos, não adianta chorar.
—Rospo, você está pessimista hoje.
—É impressão, Sapabela. O tempo imprime a sua ausência, e depois, um dia, será a falta mais dolorida. Quem nunca teve tempo pra nada, pois sempre desperdiçou o seu, verá então que o tempo que o tempo tem não será suficiente para cobrir a sua necessidade de viver.
—Nossa! Qual será então a solução?
—É simples. Não ridicularize o tempo, não o despreze, não o desvalorize, não tenha para com ele um só fiapo de descaso.
—Nossa! Você está meio dramático, Rospo.
—Estou? Espere para ver o que é realmente drama quando as cortinas se abrirem para o espetáculo do tempo e não haverá mais tempo para palco. Você irá que o tempo que passa é generoso, mas ao mesmo tempo implacável.
—Rospo, vamos tomar um sorvete? Quero aproveitar bem o tempo meu.
—E isso é tão simples, não é, Sapabela? A melhor forma de aproveitar o tempo é viver intensamente, e isso, pode crer, às vezes começa num convite para um sorvete.

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CAMADAS NO CENTRO DA VIDA


—Rospo, precisa entrar em sintonia... com a vida.
—Deve  estar  brincando, Sapabela.
—Estou. Sou brincante, sou brincadeira, adoro brincos. Sempre estarei brincando...
—E hoje está mesmo, e linda. Adorei os seus brincos. Essa cor esmeralda é esmero da alma.
—Obrigado, caro amigo.
—Não usa anel?
—O meu "era de vidro e se quebrou"...
—Sua alma, seu coração, cantiga-se por aí. Num instante estou enlaçado pelos seus olhos regados de poesia. E gostei muito do seu brinco, é mesmo uma autêntica brincante. Mas, sabe o que eu menos gosto no inverno?
—Sapos desabrigados?
—Sapabela, essa é a minha sintonia com o mundo, com a vida. O que me comove em mim é que estou em permanente fusão com a atenção que as injustiças clamam. Mas o que me incomoda muito no inverno é outra coisa, que está num outro plano, entendeu? Somos compartimentos, camadas, e, já sabe, o sapo que se alvoroça na força catalisadora da arte, mas fecha os olhos ou o coração para as injustiças e as dores do mundo, esse sapo já se dissolveu na memória essencial. Bem, somos camadas, você entendeu isso, não é?
—Claro, Rospo! E  só não entendo o porquê de tanto discurso. O que você está querendo dizer, afinal? O que mais o incomoda, nessa sua outra camada?
—O excesso de roupas das sapas por causa do frio.
—Eu sabia!
—Vai deixar mofando aqueles vestidinhos?
—Está frio, Rospo! Mas, como eu dizia lá acima, você precisa viver em sintonia, em harmonia...
—Ora, Sapabela, paraísos me incomodam, a vida não é um celibato, nasci para velejar nos temporais, relampejar no surf, surfar nas tormentas, nas ondas que se atiram contra os rochedos e causam espumas... Nasci para correr ao vento, num avental de aventuras sem fim. Quero viver intensamente, e sei que isso requer um equilíbrio de baile, de valsa e de rock...
—Entendi, a sua harmonia é estar no centro da vida.
—Exato. Que a vida seja ela mesma, e que meu barco siga no azul,  mas um azul apto para os vendavais, os ciclones, os rodamoinhos, as ondas e as espumas. A vida é um encanto, em toda a sua plenitude, se fosse só paz e quietude, se fosse só sossego, que coisa mais sem graça seria.
—Que lindo, Rospo. A partir de hoje darei valor a todas as minhas camadas.
—Como se já não fizesse isso.
—Tchau, preciso ir.
—Já?! Então, deixe-me dizer. Que linda brincante está, com esse brinco de brilhar, de esmeraldar a vida, só falta o vestidinho, mas vamos dar uma chance para o inverno e perdoar essa injustiça.
—Rospo, não me faça rir. Ou melhor, faça.

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A BELEZA QUE CHAMA


 
Passeando num sábado de calçadas, sorvetes e palavras, lá iam os dois amigos, como se estivessem num oceano azul.sonhos. Então Sapela dá a partida no verbo:
—Rospo, você sabe que eu sou bela.
—Centenas de leitores já sabem, minha querida amiga. Mas, está querendo dizer algo, não é?
—A maioria dos sapos e das sapas só gostam do que chama aos olhos.
—Do que chama os olhos? Do que instala a chama inicial?
—Estou falando de chamamento, Rospo. Estou flertando com essas palavras faz tempo...
—Sim, Sapabela, a maioria gosta mesmo muito mais do que chama aos olhos. Porém tem os que gostam do que chama à alma, ao coração.
—São os que têm os olhos mergulhadores, não é?
—Olhos mergulhadores?
—Sim, o olhar que mergulha além da aparência, além da superfície. Claro que apreciamos a beleza, a beleza exterior. Mas, o que precisamos colher com nossos olhos é a beleza interior.
—Precisamos com urgência desse olhar...
—Concordo, Rospo. Mas se quiser ver essa beleza em mim, essa beleza interior...é só prestar atenção no que eu penso...
—Sapabela, você eu viro pelo avesso...
Como é?
—Calma! Você nem me deixa terminar! Eu ia dizendo que você eu vejo por fora e por dentro, ou seja, a sua beleza exterior, de sapa bonita...
—Bela, por favor.
—Sim, bela no exterior, e bela no interior... O seu coração é lindo, Sapabela.
—Rospo, que sorvete gostoso!
— Tem sabor de sábado, não é?
—Sábado de mergulhos.
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Tchau!

Eu também vou à FELIT hoje.


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Encontro você lá, Rospo!


Marciano Vasques


2 comentários :

Mari Sampaio disse...

Como sempre, lindas estorinhas, muito inteligentes e muito bem-escritas!^^
Adorei!

Beijão!

Mariana Sampaio
Blog Tijolinhos de Papel

MARCIANO VASQUES disse...

Obrigado, Mari Sampaio.
Rospo fica envaidecido e feliz, com certeza. Um beijo, Marciano Vasques

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